Os casamentos, de acordo com a idéia dos antigos hindus quanto à santidade do laço matrimonial, eram elaborados e rituais. Das donzelas pretendentes a matrimônio exigia-se rigorosa castidade, marca oficial da virgindade. Era dever do pai encontrar um marido conveniente para a sua filha, logo que esta se aproximava da puberdade.

O pai que não encontrasse um marido para a filha seria tão culpado como alguém que assassinasse um brâmane – o pior pecado que um hindu poderia cometer. Se, durante três anos após o inicio da menstruação, o pai não encontrava um marido para a filha, ela mesma poderia procurar um companheiro. O pai carregava para sempre a condenação por haver falhado, imperdoavelmente, num dever sagrado.

Com o casamento, a mulher tinha um novo nascimento sacramental, assim como um brâmane nasceria uma segunda vez com a imposição do cordão sagrado. Segundo o livro Mahabharata, havia oito tipos de casamento. Nos primeiros quatro tipos, reservados apenas aos brâmanes, não havia dote para a noiva, pois tais uniões entre pessoas de casta superior trariam, ao que se supunha, recompensas no outro mundo. As outras formas de casamento eram:
– o casamento por compra;
– o casamento por amor;
– o casamento por captura, próprio do guerreiro ou do conquistador; e,
– o casamento por furto, em que o homem chegava à posse da mulher por algum meio dúbio ou desonroso.

Após o banho cerimonial tomado no quarto dia da menstruação, a mulher casada, agora considerada limpa, ficava assim merecedora dos prazeres do amor.

Acreditava-se que as mulheres fossem mais apaixonadas do que os homens. Segundo um ditado indiano, “a humanidade envelheceu pelas preocupações, o guerreiro pela prisão, a mulher por uma vida sem amor”.

O relacionamento sexual era regulamentado. Além de outras restrições – e havia muitas – a relação sexual dos noivos foi proibida a céu aberto e à luz do dia, sendo permitida apenas durante a noite e em rigorosa intimidade. Era proibido em outras ocasiões porque as horas da manhã eram reservadas a orações e as horas da tarde aos negócios mundanos.

A completa abstinência de contatos sexuais era imposta a maridos e esposas durante alguns dias do mês. Esses dias eram Parvan, quando, como se dizia, os maus espíritos estavam soltos, sobretudo em casas vazias e abandonadas, em cemitérios, nas vizinhanças de árvores e poços d’água. Eles imaginavam que esses lugares eram particularmente perigosos para a prática da relação sexual.

Um homem que transasse com uma virgem, mesmo com o seu consentimento, sofreria uma pesada multa e seria obrigado a casar com ela, não se levando em conta distinções de casta. O defloramento de uma virgem contra a sua vontade era um dos crimes mais detestáveis. O malfeitor era açoitado publicamente e banido, sendo que seus bens eram confiscados.

Pessoas de todas as camadas da sociedade podiam visitar e transar livremente com as esposas de atores e de cantores, sem quaisquer empecilhos, não surgindo questões de estupro ou de adultério em tais casos. Eram severamente punidas a homossexualidade e as perversões sexuais.

Por Jonatas Dornelles
Antropólogo

 

A condição social ou étnica constituiu poderoso fator para a exploração sexual de mulheres, como ocorreu nos Estados Unidos, país em que a prostituição começou com a colonização. As índias, por exemplo, eram forçadas pelos maridos a se darem sexualmente aos brancos em troca de bugigangas.

Antes do aparecimento do homem branco os índios desconheciam a prostituição. Quando se introduziu a escravidão nos Estados Unidos, as índias foram substituídas por escravas, compradas para tarefas domésticas e para uso sexual. Mulheres nascidas da união de branco com escrava eram vendidas aos bordéis como prostitutas.

A “corrida do ouro” no Oeste americano, em meados do século XIX, atraiu para a região uma multidão, principalmente de homens. Para diverti-los e cobrar por sexo “a preço de ouro”, também se deslocaram para essa região muitas prostitutas. Assim, espalharam-se bordéis pelas cidades e regiões de mineração.

Quando a Revolução Industrial chegou aos Estados Unidos (na segunda metade do século XIX), registrou-se nesse país um grande fluxo de imigrantes europeus. Mulheres imigrantes e prostitutas européias, que não conseguiam um trabalho melhor, abriram os primeiros bordéis americanos.

Já o inicio da prostituição no Brasil não é fácil de estabelecer. É de se supor que, entre as poucas colonas que iam para o Brasil, algumas experientes prostitutas européias aportaram. Também sabe-se que os colonizadores portugueses primeiro mantiveram relações sexuais com as índias e, depois, com as escravas negras.

No período da escravidão tornou-se comum os senhores e seus filhos se servirem sexualmente das escravas. Estas próprias escravas, quando o campo se deslocou para as cidades aumentando a urbanização, foram formar “o grosso da prostituição”.

No Brasil também era relativamente comum proprietários ou proprietárias prostituírem as escravas em seu próprio proveito. Essa situação se modificou mais tarde. Posteriormente, a prostituição brasileira recebeu fortes correntes imigratórias de meretrizes européias: polonesas, russas e francesas.

Essa imigração aumentou após a Primeira Guerra Mundial. Das regiões arrasadas da Europa vinham contingentes cada vez maiores de mulheres. Lá, a pobreza imperava, no Brasil a prostituição exótica (de fora) conseguia alta cotação.

Porém, a partir de 1932 a situação mudou no Brasil. Houve uma crescente valorização do “material” nacional. As fronteiras se fecharam quase hermeticamente ao tráfico de prostitutas européias. As poucas exceções ocorriam com as disputadas mulheres das troupes artísticas que, de quando em quando, viajavam para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Após a abolição da escravatura no Brasil (1888), a população negra passou a enfrentar sérias dificuldades para se integrar na competitiva ordem social do país. O ex-escravo tornou-se vítima de uma situação de profundo desajustamento estrutural. Forçado a se acostumar à vida de servidão, não tinha oportunidades de usar a sua liberdade e, por outro lado, tinha de concorrer com a mão-de-obra imigrante.

O surgimento da prostituição nos Estados Unidos e no Brasil tem um ponto em comum: momentos de pobreza da população. Obviamente aliado a esse fator está a sexualidade reprimida da sociedade. Ora, se a sexualidade fosse uma prática experimentada livremente, sem repressões, haveria menos procura por “profissionais do sexo”.

Jonatas Dornelles

 

A prostituição como é conhecida hoje iniciou realmente com a Idade Média. Ou seja, com a chamada Civilização Ocidental Cristã. Os primeiros bordéis se formaram na Europa meridional com mulheres vindas do norte. Elas tentavam ir para Roma e para a Palestina em romarias que ficavam pelas estradas. A Igreja tolerou e, segundo alguns, incentivou a “novidade”. Era necessário preservar a honra e a castidade das mocinhas dos castelos e das mulheres dos barões, todas muito “devotas e piedosas”.

Uma nova categoria de prostituta – as cortesãs – apareceu durante a Renascença. Elas receberam esse nome porque freqüentavam as cortes de seus países. Nobres ricos e poderosos casavam-se com cortesãs. O papa Alexandre VI (1431-1503) era conhecido por recebê-las no Vaticano. Algumas mulheres daquela época passaram para a história da cultura ao inspirarem grandes obras de arte de pintores e poetas. Elas desfrutavam de grande estima nas cortes de príncipes e papas.

É importante observar o surpreendente prestígio que alcançaram essas prostitutas de alto nível social. Assim como as hetairas gregas, as cortesãs se tornaram verdadeiras mulheres emancipadas. Elas sabiam ler e escrever, faziam poesia e cantavam, seduziam banqueiros, príncipes e cardeais, aparecendo nas mais famosas pinturas.

Esse “afrouxamento” da moral e dos costumes que caracterizou as cortes européias, inclusive de Roma durante o Renascimento, passou a ser rigorosamente combatido a partir dessa época. Pregadores de penitência e defensores da rígida moral cristã fizeram intensas campanhas contra a prostituição, ameaçando suas praticantes com o inferno e o purgatório. Porém não tiveram êxito.

A prostituição, então já mais organizada, começou a expandir-se. O fim da Idade Média viu o estabelecimento dos distritos (zonas) de prostituição. Casas de prostituição eram reconhecidas por terem lanternas vermelhas nas portas (até hoje designam-se os bairros de prostituição como red light districts). A prostituição floresceu por toda a Europa, em cada cidade grande.

Com a expansão da prostituição houve um aumento da incidência de doenças venéreas. No século XVI as doenças venéreas foram pela primeira vez associadas à promiscuidade sexual. Essa associação desencadeou a regulamentação e a tentativa de supressão da prostituição. A epidemia (sífilis) atuava realmente como “envenenadora” do prazer, sendo interpretada como um castigo de Deus. Entretanto, a prostituição na França e na Inglaterra continuou a florescer ao longo de todo o século XVIII.

Um fator decisivo para a expansão ainda maior da prostituição foi a Revolução Industrial, que se iniciou na Europa na primeira metade do século XIX. Com a implantação de grandes fábricas e a transformação de lugarejos em centros industriais, acelerou-se o processo de urbanização de vários países europeus. O acúmulo de habitantes nos grandes centros urbanos favoreceu a exploração econômica.

Em pouco tempo havia mais pessoas querendo trabalho do que ofertas de emprego. Os salários se tornavam cada vez mais baixos e a vida cada vez mais difícil. A prostituição passou a ser uma opção inevitável para muitas mulheres que precisavam trabalhar para viver, mas não conseguiam emprego. Também se tornavam prostitutas mulheres vindas de famílias numerosas, cujo sustento ficava cada dia mais difícil.

By Jonatas Dornelles
Anthropologist

 

Considerada “a profissão mais antiga do mundo”, a prostituição existe, sob as mais diversas formas, desde os primórdios da humanidade. Segundo alguns registros históricos, nas civilizações da Mesopotâmia — as mais antigas de que se tem conhecimento —, a prostituição já era praticada regularmente. Por volta do ano 2.300 a.C. era bastante comum a prática da prostituição sagrada como forma de culto às divindades do amor. A partir da Mesopotâmia, a prostituição espalhou-se na mesma época por todo o Oriente Médio.

A prostituição sagrada adotou as mais diversas formas na Antigüidade. Na Babilônia, o culto da deusa Astarté deu oportunidade para que se desenvolvesse uma espécie peculiar de “prostituição sagrada”. Mulheres vinculadas ao templo exerciam ali seu ofício e proporcionavam satisfação sexual para os estrangeiros e peregrinos. Era costume de toda mulher, pelo menos uma vez em sua vida, entregar-se a um homem no templo da deusa do amor.

A Bíblia também faz várias referências à existência da prostituição. Desde essas épocas remotas até os dias atuais um dado parece constante em relação à prostituição: ela só existe em sociedades que impedem homens e mulheres de expressarem sua sexualidade de maneira natural. A existência da prostituição está condicionada à repressão exercida sobre a sexualidade. De fato, nas sociedades em que a vida sexual é mais livre, a prostituição é muito rara.

Os gregos quase eliminaram o amor do casamento. Amor e estímulos sexuais eram dados pelas prostitutas. Os bordéis gregos eram santuários onde se estava imune de dívidas e de credores, como também das esposas zangadas. Existem documentos que comprovam a existência de três tipos de prostitutas na antiga Grécia: as hetairas, as aulétrides e as dicteríades.

As hetairas eram as aristocratas da prostituição grega. Seus dotes intelectuais completavam e mesmo ultrapassavam os físicos. Elas desempenhavam papel de relevo na cultura helênica, influenciando na política, na administração e em tudo mais. Dessa maneira, as hetairas serviam de companheiras intelectuais de gregos influentes e eram conhecidas por sua beleza, inteligência e cultura.

As aulétrides, eram dançarinas e tocadoras de flauta que, além de entretenimento, também prestavam serviços sexuais. Capazes de representar, dançar e cantar, eram alugadas para as grandes festas a peso de ouro. As dicteríades eram as prostitutas de bordel. Os dictérios (bordéis) multiplicavam-se e eram divididos em diferentes categorias, de acordo com as qualidades e as aptidões profissionais das prostitutas. Em geral, as prostitutas mais baratas eram as dicteríades, que tinham de colocar-se à disposição de qualquer homem.

A prostituição romana oscilava entre um extremo e outro. No início foi regulamentada e restringida severamente. Mais tarde ela foi permitida. As prostitutas trabalhavam nas tavernas, nos parques e nas praias. Elas andavam nas ruas e trabalhavam tanto em bordéis luxuosos como pobres.

O período romano é notório pelos banhos, que formam os precursores dos modernos estabelecimentos de massagem. Prostitutos masculinos e femininos trabalhavam nos banhos e proporcionavam uma grande variedade de serviços sexuais. Em Roma a prostituição homossexual prevalecia tanto quanto a heterossexual. Muitas das características atuais da prostituição advém ainda de um período antigo da humanidade.

Por Jonatas Dornelles
Antropólogo

 

Ainda hoje muitas mulheres encontram satisfação no sexo, mas desconhecem o orgasmo. Embora este não constitua toda a resposta sexual, nem seja sua única finalidade, a ausência do orgasmo impõe um limite à realização da mulher. O encontro sexual pode não culminar no orgasmo feminino, mas isso não deve se transformar em motivo de apreensão. Porém, quando ele não existe, ela deve reconsiderar suas expectativas em relação ao sexo.

Até pouco tempo, para muitas mulheres, a finalidade básica do sexo limitava-se à reprodução. Hoje, elas já não se satisfazem apenas com o papel de esposa e mãe. O que determina o sentido de suas vidas é a forma como se relacionam com as pessoas que julgam importantes. E, o modo de se relacionarem sexualmente reflete o quanto elas valorizam a si próprias e à outra pessoa. Nesse relacionamento personalizado desenvolvem-se alguns dos valores mais significativos para o ser humano: afetividade, compreensão e segurança.

Em sociedades pouco repressivas, a probabilidade de incidência de problemas como a frigidez é bem menor do que em culturas como a nossa. Na mesma linha de raciocínio, a antropóloga americana Margaret Mead afirmava que “a capacidade da mulher para o orgasmo é uma potencialidade que pode ou não ser desenvolvida por uma dada cultura”.

Ora, até pouco tempo atrás, a ‘‘cultura ocidental’’ não só falhou em desenvolver essa potencialidade, como a sufocou e reprimiu. De fato, a influência cultural freqüentemente colocava a mulher numa situação difícil: ela era obrigada a adaptar, inibir ou simular sua capacidade natural de expressão sexual, para melhor adequá-la a um falso senso de pudor, induzido culturalmente.

Assim, as mulheres sempre tiveram receio de pensar por si mesmas na própria sexualidade. Modelaram seu padrão de conduta sexual segundo os pontos de vista dominantes de “normalidade”, em vez de explorar seus verdadeiros sentimentos e necessidades sexuais. Desenvolveram uma conduta sexual peculiar, segundo a qual uma esposa amorosa, por exemplo, deveria sentir-se realizada simplesmente por proporcionar prazer ao marido, pouco importando se ela própria não alcançasse satisfação na relação sexual.

Essa situação, que durou séculos, começou a mudar nos anos 60, sobretudo nas grandes cidades dos países ocidentais industrializados. Foi quando vieram à tona os anseios femininos de valorização do papel social da mulher. A reivindicação de igualdade de direitos com os homens significava o rompimento com o tradicional esquema de dependência e submissão, em todos os níveis.

O prazer sexual passava a ser encarado como direito de ambos os parceiros. A mulher não deveria participar do relacionamento apenas para dar prazer ao homem, mas também para ser satisfeita por ele. Na prática, nem sempre foi fácil à mulher esclarecida modificar seu comportamento sexual, condicionado por séculos de preconceitos. Mas o importante é que, na década de 60, verificou-se uma tomada de consciência em relação ao problema.

Vários outros fatores contribuíram para que as mulheres começassem a despertar de sua longa repressão sexual, e passassem a buscar a experiência do orgasmo. Entre eles, relacionam-se as descobertas de alguns pesquisadores no campo da fisiologia sexual feminina. Graças aos estudos desses cientistas, as mulheres souberam que as frustrações sexuais, longe de serem inofensivas, deveriam ser solucionadas.

Jonatas Dornelles
Antropólogo

 

O casamento de Abraão foi uma mescla de poligamia e mo­nogamia. Ele tinha servas e aias, mas ao mesmo tempo levava uma vida conjugal monogâmica com Sara. Ela era estéril e sentia ciúmes das mulheres que cercavam Abraão e com ele tiveram filhos, principalmente daquelas cujos filhos eram do sexo masculino.

A principal vítima de seus ciúmes foi uma con­cubina chamada Agar. Ela era mãe de um filho herdeiro de Abraão. Seu filho parece ter sofrido muito com esses ciúmes. Abraão era o patriarca e amou muito a Agar, se orgulhando do filho: Ismael. Apesar disso, acabou sucumbindo ante a con­tínua insistência de Sara e mandou Agar com seu filho ao deserto.

O casamento de Jacó – neto de Abraão – com Raquel, trouxe novamente uma série de problemas conjugais: esterilidade, ciúmes, morte prema­tura da companheira e luta com o sogro. Jacó viu Raquel junto a uma fonte e apaixonou-se por ela. O pai exigiu que ele trabalhesse pa­ra obtê-la. Ele o fez e passados os “sete anos”, foi marcado o casamento.

Labão era um pai típico e não queria que a irmã mais velha e mais feia ficasse para solteirona. Sob a proteção do véu nupcial foi dado a Jacó a irmã errada. De noite, na câmara nupcial, ele ergue o véu e tem a surpresa: lhe deram Lia, irmã de Raquel.

Começaram então as desavenças entre sogro e genro. Jacó se enfurece. Mas o sogro, enérgico, obriga-o a trabalhar ou­tros “sete anos” para ele. Somente assim ele teria o direito de tomar Raquel também como esposa. Jacó deve ter sido um trabalhador duro, pois as terras prosperaram depois dos outros “sete anos”.

Caracteriza bem o clima do deserto daquela região a sentença cunhada por Jacó e tor­nada célebre: “De dia suei e à noite tremi de frio por ti”. Chega o ponto em que a situação torna-se insuportável. Saindo Labão em viagem, Jacó toma o gado que lhe cabia, as mulheres juntam suas coisas e vão todos embora.

Como Sara, também Raquel é no início estéril. Ela vive cheia de ciúmes da irmã Lia, que é fértil. Em seu desespero em­prega todos os meios práticos e “mágicos” imagináveis. Final­mente dá à luz um filho de Jacó e morre. Jacó, que no meio tempo teve dez filhos com suas outras mulheres, sente pro­fundamente a perda do seu amor juvenil e constrói a ela um túmulo.

Mais do que todos os outros filhos, Jacó ama o mais novo, que lhe ficara de lembrança de Raquel. Mimou-o provocando assim os ciúmes dos irmãos, que venderam José a beduínos errantes. Assim José chegou ao Egito. Ali foi tra­balhar na casa de um funcionário real, Potifar, cuja esposa tenta seduzir José. Encontramos assim, na Bíblia, o primeiro exemplo de mulher adúltera. O motivo é típico: o marido trabalha demais e a mulher, negligenciada, flerta com um rapaz bonito.

Essa breve história do matrimônio no Antigo Testamento nos traz uma série de aspectos ainda hoje discutidos: ciúmes, esterilidade no casamento, “luta” pelo amor e adultério. O modelo de uniões trazido na Bíblia influenciou o matrimônio no Ocidente Cristão. Ainda hoje nos deparamos com os problemas enfrentados pelos personagens Bíblicos.

Jonatas Dornelles
Antropologista

 

O termo “vasectomia” origina-se da denominação em latim dos canais deferentes — vas deferens — e do termo grego tomos, que significa “cortar”. Esse procedimento clínico já vem sendo utilizado a muito tempo. Enquanto antigamente ele fazia parte da cirurgia ligada à próstata, atualmente é uma opção como método de esterilização.

Em 1893, a vasectomia passou a ser empregada em lugar da castração masculina no tratamento de problemas da próstata. Tratava-se da hipertrofia benigna da próstata, que fazia essa glândula masculina aumentar gradualmente de volume, a ponto de dificultar a eliminação da urina.

Desde aquela época, a vasectomia tornou-se uma etapa cirúrgica complementar nas operações em que a próstata é retirada, a fim de evitar infecções. Portanto, todo homem que naquela época se submetia à remoção cirúrgica da próstata, sofria também uma vasectomia.

No começo do século XX, a vasectomia foi utilizada nos Estados Unidos com finalidades eugênicas. Ou seja, para impedir que indivíduos portadores de doenças he

Em 1933, 23 Estados americanos permitiam legalmente a vasectomia, com aquelas finalidades. Ainda nas primeiras décadas do século XX, a vasectomia teve grande divulgação, porque se acreditava que essa cirurgia proporcionava um suposto “rejuvenescimento sexual” a homens idosos.

Esse efeito hipotético foi descrito em 1910 por um fisiologista austríaco, Eugene Steinach. A partir de experiências em ratos, Steinach passou a acreditar que a ligadura dos canais deferentes provocava uma atrofia das células testiculares responsáveis pela produção de espermatozóides. E, ao mesmo tempo, estimulava o aumento do volume das células que produziam o hormônio sexual masculino — a testosterona.

Para aquele cientista, o aumento de volume das células eqüivaleria a um aumento na produção do hormônio e, consequentemente, a um aumento de virilidade no homem. Tudo isso jamais se comprovou na prática. Tais efeitos não foram confirmados por outros pesquisadores. Assim mesmo, persiste até hoje a crendice de que a vasectomia determina um aumento de virilidade.

Antes de se submeter à vasectomia, o homem precisa passar por um exame urológico. A operação, bastante simples, pode ser realizada num consultório médico. Alguns cirurgiões chegam a realizá-la em si próprios. A cirurgia consiste em uma ou duas pequenas incisões, com cerca de 1 cm de extensão, feitas na pele do escroto.

Através dessas incisões, o médico pinça o canal deferente em dois pontos, com uma distância de aproximadamente 1 cm entre um e outro. Em seguida, seciona e extrai a porção compreendida entre os pontos pinçados. Por fim, o médico recoloca em seu lugar o canal, agora secionado, fecha a incisão (ou incisões) com um ponto cirúrgico e faz um curativo no local.

O homem deve vestir, então, uma cueca tipo jóquei, uma sunga ou um suporte atlético, de modo a manter o escroto bem apoiado e a evitar qualquer tensão na zona operada. Ao voltar para casa ele não deve molhar a região até o dia seguinte, e só poderá efetuar esforço físico mais intenso após dois dias. Além disso, deve suspender completamente as relações sexuais por cinco dias.

 

Todas as mulheres deveriam treinar a arte do pompoarismo. Além de ajudar o casal a ter mais prazer, prazer, ela ainda protege as mulheres da incontinência urinária, diminui inflamações vaginais e desenvolve os músculos vaginais, tornando-os mais fortes e flexíveis. O pompoarismo consiste em contrair e relaxar os anéis musculares da vagina, pelo menos por dez minutos por dia, e fazer isso durante a relação sexual para acariciar, sugar e apertar o pênis e dar boas sensações ao parceiro.

Muitas mulheres também dizem que, com o pompoarismo, elas podem sentir que são virgens novamente e ter orgasmos mais intensos e freqüentes, e até mesmo orgasmos múltiplos. Em apenas uma semana fazendo exercícios de pompoarismo as mulheres podem notar a diferença. Elas podem ter o domínio dos músculos vaginais em dois meses, dependendo da freqüência dos exercícios. Estes podem ser realizados a qualquer hora do dia e podem ser repetidos ao longo da vida. Eles também podem facilitar o parto normal e o restabelecimento da musculatura vaginal depois dele, por exercícios diários.

O pompoarismo melhora a circulação sangüínea da área pélvica, resultando em um equilíbrio hormonal para mulheres de todas as idades, ajudando nos problemas da menopausa, como ansiedade e depressão. Alguns exercícios básicos de pompoarismo são feitos pela mulher sentada em uma cadeira e suas mãos nos joelhos, com os pés paralelos. Então, ela inspira contraindo os músculos da vagina, como se ela estivesse segurando algo dentro, conta até 30 e relaxa, expirando. Ela tem de fazer isso repetindo todo o exercício durante dez minutos.

Outro exercício consiste em contrair e relaxar os músculos vaginais, enquanto a mulher está de pé, como se ela estivesse pulsando, por dez minutos também. Os exercícios de pompoarismo têm variações, mas sua base é contrair e relaxar os músculos vaginais. Algumas mulheres treinadas podem sugar objetos como bolinhas de ping-pong e lançá-las para fora pela contração dos anéis vaginais. Outras mulheres também conseguem fumar cigarros colocados entre os lábios vaginais com o pompoarismo. A prática do desenvolvimento dos músculos vaginais aumenta a auto-estima das mulheres e seus relacionamentos.

 

A Igreja Católica ainda encara, hoje em dia, a homossexualidade como um pecado grave e imoral, contrário à lei da natureza. Apesar do fato de o comportamento homossexual ter sido provado pelos médicos como algo normal, livre de doenças psicológicas, o Vaticano discursa contra pessoas gays e, recentemente, fez uma nova “Instrução” interna para evitar que homens com uma orientação sexual com tendências gays tornem-se padres. Muitos seminaristas, porém, poderiam mentir sobre suas preferências sexuais e tentar escondê-las para seguir seus objetivos.

As proibições do Vaticano para homossexuais virando padres surgiram oficialmente em 1961, através de um documento que diz que os homossexuais deveriam ser barrados de ser padres. A emissão veio à tona em 2002, devido aos escândalos de abuso sexual dos padres nos Estados Unidos. Depois desse fato, a Igreja Católica começou a publicar mais ofensivas e palavras contra a homossexualidade, descrevendo-a como um problema de moral e fenômeno social, como um pecado repulsivo que merece a vingança de Deus.

Especialistas em abusadores sexuais, entretanto, disseram que os homossexuais não são mais propensos do que os heterossexuais para molestar pessoas jovens, mas isto não terminou as questões sobre seminaristas gays. De acordo com estimativas do autor do livro “The Changing Face of the Priesthood”, Rev. Donald Cozzens, a porcentagem de gays nos seminários dos E.U.A. e padres gays gira em torno de 25 a 50 por cento. Para mudar esse número, alguns inspetores do Vaticano estão planejando visitar todos os seminários procurando por qualquer evidência de homossexualidade.

A Igreja Católica acredita que há uma tendência homossexual e uma prática homossexual. A primeira, para eles, pode ser combatida evitando pensar e falar sobre atos gays. Se a pessoa pode vencer a tentação, ela será libertada da culpa. A Igreja considera a prática de homossexualidade como uma ofensa a Deus, porque o sexo, de acordo com os católicos, foi dado às pessoas com o único objetivo da procriação. Eles também dizem que a homossexualidade é algo sujo e é a origem das doenças venéreas. Isto é, entretanto, apenas uma questão de crenças pessoais.

 

A masturbação era encarada de muitas formas diferentes pelas culturas antigas. Ela é um hábito natural que tem sido praticado pela sociedade desde o passado. De acordo com alguns intérpretes, há mesmo alguns desenhos de masturbação masculina em pinturas pré-históricas na pedra em todo o mundo. A masturbação nas culturas antigas era comumente permitida e hoje é lembrada por lendas e contos. Algumas pinturas antigas mostram homens e mulheres masturbando-se, e outras partes do mundo têm a auto-estimulação em monumentos. Um cemitério neolítico na Grécia, por exemplo, tem a figura de um homem masturbando-se.

Algumas culturas antigas também costumavam considerar a masturbação como uma atividade sexual fortalecedora e criativa. Há uma lenda que diz que o deus egípcio Osíris criou o mundo por um ato de masturbação. Outro mito egípcio diz que o deus sol, Atom, criou os dois primeiros seres humanos da terra através da masturbação. Este é o motivo da masturbação ter se tornado importante nesta cultura antiga: porque ela era considerada um ato mágico ou criativo. Um mito grego similar também envolvia seus deuses. Nesta lenda, Hermes ensinou Pan a masturbar-se.

Na Grécia antiga, a masturbação era uma atitude natural, normal e saudável para substituir outras formas de atividade sexual. Ela era considerada uma forma segura contra a frustração sexual. Por esta razão, há várias artes e escritas gregas sobre a masturbação feminina e pinturas que mostram a masturbação masculina como parte da vida diária, e não um vício ou uma virtude. Ela começou a ser julgada quando o Império Romano dominou, porque os romanos costumavam distingüir o vício da virtude e associavam a masturbação à desonra e ao distúrbio.

A cultura antiga dos Sumérios, que inventaram a primeira linguagem escrita, tinha referências ao seu deus Enki masturbando-se e a ejaculação dele preenchendo o rio Tigre como fluído. Com a influência crescente da Igreja Católica e outras religiões, porém, a masturbação começou a ser condenada e julgada como uma prática pecaminosa, como sinal de fraqueza e decadência. A religião ainda tem maior influência nos dias de hoje, mas a prática da masturbação atualmente foi desmistificada pela medicina, que provou que ela é saudável e inofensiva.