A Prostituição na Antigüidade

 

Considerada “a profissão mais antiga do mundo”, a prostituição existe, sob as mais diversas formas, desde os primórdios da humanidade. Segundo alguns registros históricos, nas civilizações da Mesopotâmia — as mais antigas de que se tem conhecimento —, a prostituição já era praticada regularmente. Por volta do ano 2.300 a.C. era bastante comum a prática da prostituição sagrada como forma de culto às divindades do amor. A partir da Mesopotâmia, a prostituição espalhou-se na mesma época por todo o Oriente Médio.

A prostituição sagrada adotou as mais diversas formas na Antigüidade. Na Babilônia, o culto da deusa Astarté deu oportunidade para que se desenvolvesse uma espécie peculiar de “prostituição sagrada”. Mulheres vinculadas ao templo exerciam ali seu ofício e proporcionavam satisfação sexual para os estrangeiros e peregrinos. Era costume de toda mulher, pelo menos uma vez em sua vida, entregar-se a um homem no templo da deusa do amor.

A Bíblia também faz várias referências à existência da prostituição. Desde essas épocas remotas até os dias atuais um dado parece constante em relação à prostituição: ela só existe em sociedades que impedem homens e mulheres de expressarem sua sexualidade de maneira natural. A existência da prostituição está condicionada à repressão exercida sobre a sexualidade. De fato, nas sociedades em que a vida sexual é mais livre, a prostituição é muito rara.

Os gregos quase eliminaram o amor do casamento. Amor e estímulos sexuais eram dados pelas prostitutas. Os bordéis gregos eram santuários onde se estava imune de dívidas e de credores, como também das esposas zangadas. Existem documentos que comprovam a existência de três tipos de prostitutas na antiga Grécia: as hetairas, as aulétrides e as dicteríades.

As hetairas eram as aristocratas da prostituição grega. Seus dotes intelectuais completavam e mesmo ultrapassavam os físicos. Elas desempenhavam papel de relevo na cultura helênica, influenciando na política, na administração e em tudo mais. Dessa maneira, as hetairas serviam de companheiras intelectuais de gregos influentes e eram conhecidas por sua beleza, inteligência e cultura.

As aulétrides, eram dançarinas e tocadoras de flauta que, além de entretenimento, também prestavam serviços sexuais. Capazes de representar, dançar e cantar, eram alugadas para as grandes festas a peso de ouro. As dicteríades eram as prostitutas de bordel. Os dictérios (bordéis) multiplicavam-se e eram divididos em diferentes categorias, de acordo com as qualidades e as aptidões profissionais das prostitutas. Em geral, as prostitutas mais baratas eram as dicteríades, que tinham de colocar-se à disposição de qualquer homem.

A prostituição romana oscilava entre um extremo e outro. No início foi regulamentada e restringida severamente. Mais tarde ela foi permitida. As prostitutas trabalhavam nas tavernas, nos parques e nas praias. Elas andavam nas ruas e trabalhavam tanto em bordéis luxuosos como pobres.

O período romano é notório pelos banhos, que formam os precursores dos modernos estabelecimentos de massagem. Prostitutos masculinos e femininos trabalhavam nos banhos e proporcionavam uma grande variedade de serviços sexuais. Em Roma a prostituição homossexual prevalecia tanto quanto a heterossexual. Muitas das características atuais da prostituição advém ainda de um período antigo da humanidade.

Por Jonatas Dornelles
Antropólogo

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