A Prostituição na Civilização Ocidental Cristã

 

A prostituição como é conhecida hoje iniciou realmente com a Idade Média. Ou seja, com a chamada Civilização Ocidental Cristã. Os primeiros bordéis se formaram na Europa meridional com mulheres vindas do norte. Elas tentavam ir para Roma e para a Palestina em romarias que ficavam pelas estradas. A Igreja tolerou e, segundo alguns, incentivou a “novidade”. Era necessário preservar a honra e a castidade das mocinhas dos castelos e das mulheres dos barões, todas muito “devotas e piedosas”.

Uma nova categoria de prostituta – as cortesãs – apareceu durante a Renascença. Elas receberam esse nome porque freqüentavam as cortes de seus países. Nobres ricos e poderosos casavam-se com cortesãs. O papa Alexandre VI (1431-1503) era conhecido por recebê-las no Vaticano. Algumas mulheres daquela época passaram para a história da cultura ao inspirarem grandes obras de arte de pintores e poetas. Elas desfrutavam de grande estima nas cortes de príncipes e papas.

É importante observar o surpreendente prestígio que alcançaram essas prostitutas de alto nível social. Assim como as hetairas gregas, as cortesãs se tornaram verdadeiras mulheres emancipadas. Elas sabiam ler e escrever, faziam poesia e cantavam, seduziam banqueiros, príncipes e cardeais, aparecendo nas mais famosas pinturas.

Esse “afrouxamento” da moral e dos costumes que caracterizou as cortes européias, inclusive de Roma durante o Renascimento, passou a ser rigorosamente combatido a partir dessa época. Pregadores de penitência e defensores da rígida moral cristã fizeram intensas campanhas contra a prostituição, ameaçando suas praticantes com o inferno e o purgatório. Porém não tiveram êxito.

A prostituição, então já mais organizada, começou a expandir-se. O fim da Idade Média viu o estabelecimento dos distritos (zonas) de prostituição. Casas de prostituição eram reconhecidas por terem lanternas vermelhas nas portas (até hoje designam-se os bairros de prostituição como red light districts). A prostituição floresceu por toda a Europa, em cada cidade grande.

Com a expansão da prostituição houve um aumento da incidência de doenças venéreas. No século XVI as doenças venéreas foram pela primeira vez associadas à promiscuidade sexual. Essa associação desencadeou a regulamentação e a tentativa de supressão da prostituição. A epidemia (sífilis) atuava realmente como “envenenadora” do prazer, sendo interpretada como um castigo de Deus. Entretanto, a prostituição na França e na Inglaterra continuou a florescer ao longo de todo o século XVIII.

Um fator decisivo para a expansão ainda maior da prostituição foi a Revolução Industrial, que se iniciou na Europa na primeira metade do século XIX. Com a implantação de grandes fábricas e a transformação de lugarejos em centros industriais, acelerou-se o processo de urbanização de vários países europeus. O acúmulo de habitantes nos grandes centros urbanos favoreceu a exploração econômica.

Em pouco tempo havia mais pessoas querendo trabalho do que ofertas de emprego. Os salários se tornavam cada vez mais baixos e a vida cada vez mais difícil. A prostituição passou a ser uma opção inevitável para muitas mulheres que precisavam trabalhar para viver, mas não conseguiam emprego. Também se tornavam prostitutas mulheres vindas de famílias numerosas, cujo sustento ficava cada dia mais difícil.

By Jonatas Dornelles
Anthropologist

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *