História da Masturbação

 

Tão antiga quanto a própria hu­manidade, a masturbação é pratica­da pela maioria dos homens e das mulheres, durante grande parte de suas vidas. Apesar de seu cará­ter universal, essa experiência ínti­ma e muito pessoal é, dentre todas as práticas sexuais, aquela sobre a qual a maioria dos indivíduos tem mais dificuldade em falar. Talvez seja por isso que as pessoas só a mencionam em circunstâncias especiais. Mas o que mais podemos saber sobre a masturbação?

A palavra “masturbação” — citada pela primeira vez pelo poeta Mar­cial, no século 1 d.C. — tem conota­ção negativa, pois deriva de manu e stuprare, que signi­ficam “sujar com as mãos”. A maioria das pessoas sente-se en­vergonhada e culpada por se entregar à masturbação. Além disso, há o re­ceio infundado de que esse ato solitá­rio provoque toda sorte de distúrbios físicos e mentais.

O sentimento de culpa decorrente da masturbação tem muitas fontes. Uma das princi­pais é de ordem moral e se baseia, so­bretudo, na tradição judaico-cristã. Essa tradição religiosa, que influen­ciou todo o pensamento ocidental, sempre foi contra a masturbação. Já que a masturbação seria um desvio do líquido seminal da sua finalidade criada por Deus: a procriação.

Assim, se a crença religiosa e os princípios morais de uma pessoa lhe dizem que deve utilizar o sexo apenas para ter fi­lhos, ela se sentirá culpada se praticar a masturbação. Muitos adolescentes procu­ram evitar a masturbação porque têm consciência de que seus pais, ou mesmo confessores ou professores, são contrários a esse ato.

Os sentimentos negativos em rela­ção à masturbação tornaram-se ain­da mais acentuados depois que Freud, e seus seguidores, afirmaram que essa atividade é normal somente em crianças — como parte de seu de­senvolvimento sexual —, sendo um sintoma de imaturidade quando praticada por adultos. Alguns psicanalistas chegaram a sugerir que esse sentimento de culpa decorreria de fantasias inconscientes de nature­za incestuosa. Em outros termos, para essas pessoas a masturbação manifes­taria um envolvimento erótico com um de seus pais.

Além do sentimento de culpa, há outras razões que podem levar uma pessoa a evitar a masturbação. Ou então, a praticá-la com menos freqüência. Muitas mulheres se recusam a adotar esse hábito, pois sentem-se diminuídas ao obterem o orgasmo exclusivamen­te por meio da estimulação do clitóris. Essa preocupação reflete uma acentuada pressão cultural, que só considera aceitável o orgasmo obtido na relação sexual, com a penetração da vagina.

Os homens podem não apreciar a idéia de suas esposas se masturbarem. Eles podem pensar que, se elas são capazes de se satisfazerem por si próprias, não sentirão necessi­dade de ter relações sexuais com eles. No entanto, as pesquisas mostram que não existe uma relação sig­nificativa entre a freqüência de mas­turbações, e o número de relações sexuais prati­cadas pelas mulheres. Ou seja, o fato de elas se masturba­rem não diminuiu seu interesse pela atividade sexual.

No século XXI a masturbação é encarada de uma forma mais natural. Ela é uma parte importante no amadurecimento sexual dos indivíduos. Hoje em dia muito se fala na necessidade do auto-conhecimento da pessoa. A masturbação vai justamente nesse sentido, já que possibilita descobertas sobre a sexualidade individual.

Jonatas Dornelles
Antropólogo

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