A História do Orgasmo

 

Ainda hoje muitas mulheres encontram satisfação no sexo, mas desconhecem o orgasmo. Embora este não constitua toda a resposta sexual, nem seja sua única finalidade, a ausência do orgasmo impõe um limite à realização da mulher. O encontro sexual pode não culminar no orgasmo feminino, mas isso não deve se transformar em motivo de apreensão. Porém, quando ele não existe, ela deve reconsiderar suas expectativas em relação ao sexo.

Até pouco tempo, para muitas mulheres, a finalidade básica do sexo limitava-se à reprodução. Hoje, elas já não se satisfazem apenas com o papel de esposa e mãe. O que determina o sentido de suas vidas é a forma como se relacionam com as pessoas que julgam importantes. E, o modo de se relacionarem sexualmente reflete o quanto elas valorizam a si próprias e à outra pessoa. Nesse relacionamento personalizado desenvolvem-se alguns dos valores mais significativos para o ser humano: afetividade, compreensão e segurança.

Em sociedades pouco repressivas, a probabilidade de incidência de problemas como a frigidez é bem menor do que em culturas como a nossa. Na mesma linha de raciocínio, a antropóloga americana Margaret Mead afirmava que “a capacidade da mulher para o orgasmo é uma potencialidade que pode ou não ser desenvolvida por uma dada cultura”.

Ora, até pouco tempo atrás, a ‘‘cultura ocidental’’ não só falhou em desenvolver essa potencialidade, como a sufocou e reprimiu. De fato, a influência cultural freqüentemente colocava a mulher numa situação difícil: ela era obrigada a adaptar, inibir ou simular sua capacidade natural de expressão sexual, para melhor adequá-la a um falso senso de pudor, induzido culturalmente.

Assim, as mulheres sempre tiveram receio de pensar por si mesmas na própria sexualidade. Modelaram seu padrão de conduta sexual segundo os pontos de vista dominantes de “normalidade”, em vez de explorar seus verdadeiros sentimentos e necessidades sexuais. Desenvolveram uma conduta sexual peculiar, segundo a qual uma esposa amorosa, por exemplo, deveria sentir-se realizada simplesmente por proporcionar prazer ao marido, pouco importando se ela própria não alcançasse satisfação na relação sexual.

Essa situação, que durou séculos, começou a mudar nos anos 60, sobretudo nas grandes cidades dos países ocidentais industrializados. Foi quando vieram à tona os anseios femininos de valorização do papel social da mulher. A reivindicação de igualdade de direitos com os homens significava o rompimento com o tradicional esquema de dependência e submissão, em todos os níveis.

O prazer sexual passava a ser encarado como direito de ambos os parceiros. A mulher não deveria participar do relacionamento apenas para dar prazer ao homem, mas também para ser satisfeita por ele. Na prática, nem sempre foi fácil à mulher esclarecida modificar seu comportamento sexual, condicionado por séculos de preconceitos. Mas o importante é que, na década de 60, verificou-se uma tomada de consciência em relação ao problema.

Vários outros fatores contribuíram para que as mulheres começassem a despertar de sua longa repressão sexual, e passassem a buscar a experiência do orgasmo. Entre eles, relacionam-se as descobertas de alguns pesquisadores no campo da fisiologia sexual feminina. Graças aos estudos desses cientistas, as mulheres souberam que as frustrações sexuais, longe de serem inofensivas, deveriam ser solucionadas.

Jonatas Dornelles
Antropólogo

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