Após toda esta trajetória de altos e baixos, de descobertas e trocas de materiais, o preservativo se tornou bastante popular, principalmente nas altas rodas imperiais. Os membros da maioria das cortes no mundo todo os utilizava para poderem praticar sexo fora do casamento sem problemas de doenças sexualmente transmissíveis ou de herdeiros indesejáveis.
A Inglaterra era considerada o maior fabricante de preservativos, não em escala industrial, mas de forma artesanal mesmo. O preservativo era considerado objeto obrigatório do “guarda-roupa” masculino da época.
Na metade do século XIX, foi descoberto o processo de vulcanização da borracha, e isso permitiu que o preservativo de borracha, então, aparecesse. Charles Goodyear, o grande mentor desta idéia, fez com que a adesividade do látex desaparecesse, quando aquecido e adicionado enxofre à substância. Porém, sua idéia não foi de pronto comercializada. Foi preciso mais alguns anos para que o preservativo de borracha aparecesse realmente no mercado. Este novo preservativo era mais sólido e regular do que aqueles feitos de intestinos de animais. Porém, ele ainda não era descartável, podendo ser usado por até cinco anos, bastando apenas ser lavado e secado após cada uso, e era preciso que se aplicasse talco, para que suas partes não colassem quando guardados.
Durante a Primeira e Segunda grandes guerras, seu uso foi bastante popularizado em função das doenças sexualmente transmissíveis. Ainda nesta época, não se pensava em AIDS, as doenças eram principalmente a sífilis, gonorréia ou herpes. As prostitutas eram as maiores incentivadores do uso de camisinha, pois, com ela, evitavam a transmissão de doenças e podiam continuar seu trabalho.
Até a década de 1960, a camisinha era muito popular no mundo todo, porém, com o advento da pílula anticoncepcional, por volta desta mesma época, ela foi deixada de lado. A pílula era considerada menos invasiva, pois não impedia o prazer total do casal e ainda evitava a gravidez. Estes foram anos de escuridão na história do preservativo. Ele se tornou tão obsoleto, que não era em qualquer lugar que poderia ser encontrado. Na verdade, poucos eram os lugares que comercializavam preservativos.
Porém, com o surgimento da AIDS, no início da década de 80, a camisinha se tornou, novamente, objeto obrigatório para o ato sexual. No início, era usada principalmente em relações extraconjugais, por profissionais do sexo ou casais no início do relacionamento. Hoje me dia, porém, a camisinha é item essencial em todos os relacionamentos, inclusive pelo grande aumento de casos de pessoas com relacionamentos estáveis duradouros que contraíram o HIV de seus parceiros.
Sua confiabilidade para evitar a gravidez é de cerca de 99% e a única forma de evitar a contaminação pelo vírus HIV ou outras DST’s. Existem vários tipos, tamanhos, cores, com ou sem espermicida, com ou sem sabor, algumas com massageadores, enfim, diversas formas para ter prazer sem correr riscos desnecessários. E existem ainda novidades em termos de preservativos. Novas técnicas e novos produtos vêm sendo pesquisados. Tudo para que a população possa se proteger cada vez mais, de forma ainda mais prazerosa.
Anne Griza
Psicóloga |