História Recente da Prostituição nos Estados Unidos e Brasil

 

A condição social ou étnica constituiu poderoso fator para a exploração sexual de mulheres, como ocorreu nos Estados Unidos, país em que a prostituição começou com a colonização. As índias, por exemplo, eram forçadas pelos maridos a se darem sexualmente aos brancos em troca de bugigangas.

Antes do aparecimento do homem branco os índios desconheciam a prostituição. Quando se introduziu a escravidão nos Estados Unidos, as índias foram substituídas por escravas, compradas para tarefas domésticas e para uso sexual. Mulheres nascidas da união de branco com escrava eram vendidas aos bordéis como prostitutas.

A “corrida do ouro” no Oeste americano, em meados do século XIX, atraiu para a região uma multidão, principalmente de homens. Para diverti-los e cobrar por sexo “a preço de ouro”, também se deslocaram para essa região muitas prostitutas. Assim, espalharam-se bordéis pelas cidades e regiões de mineração.

Quando a Revolução Industrial chegou aos Estados Unidos (na segunda metade do século XIX), registrou-se nesse país um grande fluxo de imigrantes europeus. Mulheres imigrantes e prostitutas européias, que não conseguiam um trabalho melhor, abriram os primeiros bordéis americanos.

Já o inicio da prostituição no Brasil não é fácil de estabelecer. É de se supor que, entre as poucas colonas que iam para o Brasil, algumas experientes prostitutas européias aportaram. Também sabe-se que os colonizadores portugueses primeiro mantiveram relações sexuais com as índias e, depois, com as escravas negras.

No período da escravidão tornou-se comum os senhores e seus filhos se servirem sexualmente das escravas. Estas próprias escravas, quando o campo se deslocou para as cidades aumentando a urbanização, foram formar “o grosso da prostituição”.

No Brasil também era relativamente comum proprietários ou proprietárias prostituírem as escravas em seu próprio proveito. Essa situação se modificou mais tarde. Posteriormente, a prostituição brasileira recebeu fortes correntes imigratórias de meretrizes européias: polonesas, russas e francesas.

Essa imigração aumentou após a Primeira Guerra Mundial. Das regiões arrasadas da Europa vinham contingentes cada vez maiores de mulheres. Lá, a pobreza imperava, no Brasil a prostituição exótica (de fora) conseguia alta cotação.

Porém, a partir de 1932 a situação mudou no Brasil. Houve uma crescente valorização do “material” nacional. As fronteiras se fecharam quase hermeticamente ao tráfico de prostitutas européias. As poucas exceções ocorriam com as disputadas mulheres das troupes artísticas que, de quando em quando, viajavam para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Após a abolição da escravatura no Brasil (1888), a população negra passou a enfrentar sérias dificuldades para se integrar na competitiva ordem social do país. O ex-escravo tornou-se vítima de uma situação de profundo desajustamento estrutural. Forçado a se acostumar à vida de servidão, não tinha oportunidades de usar a sua liberdade e, por outro lado, tinha de concorrer com a mão-de-obra imigrante.

O surgimento da prostituição nos Estados Unidos e no Brasil tem um ponto em comum: momentos de pobreza da população. Obviamente aliado a esse fator está a sexualidade reprimida da sociedade. Ora, se a sexualidade fosse uma prática experimentada livremente, sem repressões, haveria menos procura por “profissionais do sexo”.

Jonatas Dornelles

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *