Em todas as sociedades humanas ambos os parceiros de um casal são proibidos de formar ligações sexuais com seus próprios descendentes. Da mesma forma, as restrições contra os contatos sexuais entre irmãos e irmãs são quase tão universais quanto as que proíbem as relações entre os pais e seus descendentes. A proibição das ligações entre pais e descendentes e entre os irmãos entre si tende a reduzir ao mínimo o ciúme e a rivalidade sexual no seio de uma família.
No entanto, as exceções ao tabu do incesto sempre estiveram restritas a algumas camadas especiais, nunca se estendendo à população em geral. Isso também ocorre entre outros povos, como os Azande, habitantes do leste do Sudão, no centro da África, onde é hábito os chefes mais altos coabitarem com suas próprias filhas. Em todos os casos, essas uniões incestuosas se estabelecem sob a forma de um relacionamento duradouro, e não como ligações ocasionais.
As regras sociais contra as relações sexuais entre parentes próximos refletem tendências culturais, e não determinismos de ordem biológica, pois o relacionamento genético próximo não constitui uma barreira à atração erótica. Ao observarmos os sonhos e as fantasias de membros de nossa sociedade e de muitas outras, que freqüentemente constatamos a forte atração sexual entre pais e descendentes, bem como entre irmãos.
Entretanto, em virtude dos efeitos poderosamente inibidores de condicionamentos precoces, a maioria das pessoas não reconhece conscientemente suas próprias tendências incestuosas. Todas as sociedades estendem as proibições do incesto além da unidade familiar. Em algumas culturas a proibição se estende até aos parentes de segundo grau (como irmã do pai ou da mãe, filha do irmão ou da irmã). Além disso, algumas sociedades, como a americana, incluem mais alguns parentes, tais como os primos-irmãos.
Muitas sociedades estendem as proibições do incesto a limites muito mais amplos, de maneira a incluir maior número de parentes. Ironicamente, em algumas culturas, a interpretação do incesto é tão ampla que exclui como parceiros sexuais em potencial metade da população disponível.
As reações emocionais ao tabu do incesto variam amplamente de cultura para cultura. Algumas sociedades parecem evitar o incesto, acreditando que sofrerão punições sobrenaturais ao praticá-lo. Como exemplos dessas sociedades temos alguns povos primitivos da Austrália, que consideram as ligações incestuosas como um crime muito grave, que pode ter efeitos calamitosos.
Outras sociedades têm um conhecimento apenas superficial do tabu do incesto, e encaram as transgressões, exceto aquelas que envolvem pais, filhos e irmãos, como ofensas menores, que podem ser facilmente compreendidas e esquecidas. A avaliação da gravidade do incesto varia de uma sociedade para outra.
Assim, em muitas culturas o incesto entre pais e filhos, particularmente entre mãe e filho, é a forma mais grave, enquanto em determinadas sociedades matrilineares (em que a sucessão se faz por linha materna), como a dos Trobriandeses, a ligação sexual entre o tio materno e sua sobrinha é a transgressão capital. Isso porque, nessa cultural o tio assume o que para nós seria a função do pai.
Por Jonatas Dornelles
Antropólogo
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