cientistas norte-americanos que no século XX realizaram
estudos quantitativos a respeito do comportamento sexual humano
Até meados de 1940, o interesse pelas pesquisas sobre o comportamento
sexual ficou mais ou menos restrito aos psiquiatras, psicólogos,
antropólogos e sociólogos. Muitas dessas investigações
tinham um caráter qualitativo. Ou seja, eram realizadas com um
número pequeno de casos. Em 1948 um fato fez com que o assunto
saísse do círculo fechado dos cientistas sociais. Nesse
ano foi publicado o livro "Comportamento Sexual do Homem"
e, em 1953, o "Comportamento Sexual da Mulher". Ambos resultaram
de uma extensa pesquisa realizada pelo médico americano Dr. Alfred
Kinsey, com uma boa amostra da população dos Estados Unidos.
Qual foram os impactos dessas publicações?
Jornalistas e comentaristas sociais lançaram-se à leitura
dos relatórios de Kinsey. As tabelas estatísticas neles
contidas eram acessíveis ao grande público. As pesquisas
de Kinsey causaram um profundo impacto não só nos Estados
Unidos, como em todo o mundo. A partir delas, um número crescente
de homens e mulheres começou a se interessar por uma compreensão
mais realista de sua própria vida sexual. As informações
reunidas no trabalho de Kinsey foram obtidas através de pesquisas
quantitativas (com grande número de casos) mediante entrevistas.
Os entrevistadores interrogaram 6.300 homens e 5.300 mulheres, número
muito superior ao de qualquer outra pesquisa do gênero. Foram
incluídos indivíduos de todos os grupos de idade acima
dos dezoito anos, de diferentes níveis educacionais, categorias
profissionais, atitudes em relação ao sexo, graus de experiência
sexual, e assim por diante. Kinsey pode comparar a incidência
de certos tipos de comportamento nos diferentes grupos de entrevistados.
Verificou, por exemplo, que as relações sexuais antes
do casamento tornavam-se mais freqüentes conforme fosse maior a
idade das pessoas entrevistadas.
Muitos especialistas fizeram críticas sérias aos relatórios
de Kinsey. Condenaram o fato de ele se basear em entrevistas para chegar
a conclusões que apresentou como irrefutáveis. Segundo
esses críticos, a única maneira segura de avaliar o comportamento
sexual seria a observação direta das pessoas em atividade
sexual. Isso foi o que tentaram fazer William H. Masters e Virginia
Johnson, dois cientistas americanos. Em seu livro "Relações
Sexuais Humanas", de 1966, eles reuniram os resultados de onze
anos de observações. Masters e Johnson estudaram em seus
laboratórios os casais copulando, fizeram registros com instrumentos
e analisaram detalhadamente o que acontecia com o homem e com a mulher
durante o coito. Seu relatório é ainda mais surpreendente
que os de Kinsey. Talvez a revelação mais importante de
Masters e Johnson tenha sido a de que, no ato sexual , todas as mulheres
são capazes de ter vários orgasmos. Ao contrário,
o homem só tem um. Porém, um grande número de homens,
até a idade de 35 anos, também pode ter dois ou três
orgasmos em rápida sucessão. Mesmo depois dos 35 anos,
7% dos homens podem ter vários orgasmos num curto intervalo de
tempo.
Masters e Johnson também retificaram idéias errôneas
a respeito do tamanho do órgão sexual masculino. O pênis
da média dos homens adultos tem entre 8,5 e 11,5 centímetros
quando relaxado, e entre 14 e 15,5 centímetros quando em ereção.
Isso levava a pensar que todos os pênis aumentavam na mesma proporção.
Masters e Johnson descobriram, porém, que quanto maior é
o pênis relaxado, menos ele aumenta na ereção, e
vice-versa. Essas observações serviram para combater uma
preocupação bastante comum entre os homens, sobre o tamanho
do pênis relaxado. Dizia-se, no senso comum, que o indivíduo
com um pênis grande era um bom amante. Esse é apenas um,
entre tantos preconceitos a respeito do sexo, que os estudos científicos
ajudaram a esclarecer.
Antes de qualquer dado de relatório, as pesquisas de Kinsey,
Masters e Johnson serviram para aumentar o interesse da população
sobre a sexualidade. No mesmo fluxo, houve um incremento das pesquisas
que forneceram subsídios para o entendimento de práticas
e comportamentos sexuais.
Jonatas Dornelles,
Antropólogo |