Num primeiro momento o pênis pareceria irrelevante para a moda,
certo? Sem glamour para a noite, saliente demais para roupas de trabalho.
Mas nem sempre foi assim. Em tempos e lugares diferentes, existiram
homens que se vestiam tendo em vista o seu pênis como preocupação
principal.
Existem relatos de que na Grécia Clássica, os jovens
se exercitavam e freqüentemente andavam nus. Assim, para evitar
danos ao pênis, o homem puxava a extremidade do prepúcio
cobrindo a cabeça do pênis e prendendo-a com uma fita ou
faixa de couro. Para que não balançasse, ele amarrava
as pontas da faixa em volta da base do pênis. O resultado era
um pequeno fardo denominado de kynodesme. Aparentemente o kynodesme
equivaleria ao moderno suporte atlético, sendo associado à
supremacia e ao orgulho sexual masculino.
Durante a Idade Média e o início da Renascença
na Europa, por volta do séc. XIV, os homens começaram
a usar indumentárias que destacavam seu membro. Nessa época
casacos e malhas estavam na moda. Com o tempo os casacos foram encurtados
até o meio da coxa, de forma que quando um homem sentasse ou
se inclinasse, qualquer um poderia observar o desenho dos genitais através
da malha. Além disso, os sacos de dinheiro que eram usados na
lateral do corpo, passaram para a região frontal. As espadas
e punhais eram usados atrás dos sacos, balançando sugestivamente
entre as pernas. O tapa-sexo chegou ao topo da moda por volta do séc.
XV. Eles eram acolchoados para o pênis e os testículos.
Podiam ser coloridos e eram pra ser vistos. Os mais extravagantes tinham
o formato de pênis ereto apontando para cima. Os tapa-sexos também
eram usados pelos homens para carregar moedas, doces e lenços.
Enquanto os jovens cavaleiros usavam o tapa-sexo, os monges andavam
nus debaixo dos hábitos.
Alguns historiadores da moda acham que os tapa-sexos foram criados
para cobrir os genitais sob casacos curtos. Outros dizem que foram inventados
com o objetivo de esconder e proteger os caros tecidos das roupas que
usavam das manchas deixadas pelos cremes para sífilis à
base de mercúrio. Há quem acredite que surgiram como pedaços
de armaduras, quando a cobertura deixou de ser cotas de malhas para
ser de pedaços de ferro rebitado, para proteção
do membro. De qualquer forma parece ter sido uma moda que os homens
adoraram. Imagine estar com uma ereção simbólica
e acolchoada o tempo todo. O tapa-sexo saiu de moda por volta do final
do séc. XVI, sem nenhum motivo em especial.
Para muitos homens de algumas culturas primitivas, o melhor adereço
para o pênis é um forro decorado. O forro pode cobrir apenas
a cabeça do pênis, bem como o corpo do mesmo. Assim, no
final dos anos 60, os forros para pênis passaram a ser usados
na África, América do sul, Nova Guiné, e ilhas
do Pacífico Sul. De tamanho e formatos variados, feitos por diversos
tipos de materiais (fibras de vegetais trançados, conchas, cabaças,
pele, couro, alumínio, marfim, chifre, coco, marfim, bambu, )
podem ser usados sem nenhum outro tipo de cobertura. Em algumas culturas
existem forros para uso diário, forros de guerra, forros de festivais.
Os forros podem ainda simbolizar o status de um homem, bem como ser
apenas modismo.
Existem ainda outras indumentárias, alegorias ou artefatos que
foram criados ao longo da história da humanidade. Um pouco de
história nunca faz mal, pelo contrário, é através
dela que podemos perceber com clareza a importância que a sexualidade
tem para todo ser humano, de forma que ela se manifesta em todos os
campos, inclusive o da moda.
Kelly Cristine Barbosa Cherulli
Sexóloga e Psicóloga
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