Tudo começa com a história de Adão e Eva: “Adão
e Eva podiam desfrutar de todas as maravilhas do Jardim do Éden.
Menos de uma coisa: estavam proibidos de experimentar a maçã
da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Só que Eva
caiu no papo da serpente (que seria o diabo disfarçado). A cobra
disse que, se provasse o fruto, ela não morreria e ainda ganharia
conhecimento. Eva comeu a maçã e ainda convenceu Adão
a prova-la também. Para impedir que eles comecem também
o fruto da Árvore da Vida, que os tornaria imortais, Deus achou
melhor expulsá-los do Éden. Eva culpou a serpente. Mas,
segundo a Bíblia, Deus condenou todas as mulheres a darem à
luz com dor e a serem dominadas pelos homens.”
Segundo a teologia católica romana, Adão teria violado
sua inocência original por ter mantido relações
sexuais com Eva, o que passou então a ser conhecido com “pecado
original”. Segundo Santo Agostinho, em função do
pecado original, o sexo se transformou numa vergonhosa luxúria,
carregado de culpa. O sexo agora deveria limitar-se a propagação
da espécie e não deveria ser feito por prazer. Essa história
tem sido então contada por todas as gerações, até
os dias de hoje.
É inegável a importância que a religião
tem para os seres humanos. Qualquer que seja a religião, não
podemos ignorar que ela tem exercido forte influência sobre o
comportamento e, conseqüentemente, sobre a sexualidade humana.
Daí a importância desse assunto.
Para todos aqueles que gostam e se interessam pela área de sexologia,
é de grande utilidade ter noções sobre a sexualidade
nas diferentes religiões, de forma a facilitar o conhecimento
em relação a seus valores, problemas, medos, conflitos,
etc.
Pesquisando algumas religiões, descobrimos que existem alguns
postulados em comum entre elas e também algumas diferenças.Aqui
vai um breve resumo sobre elas.
Catolicismo: além de todos os conflitos já vivenciados
pelos fiéis e pelo próprio clero ao longo da sua história,
o ano de 1994, foi marcado por um “afunilamento idelógico
sexual”, que pregava “uma castração da liberdade
sexual em massa: a reafirmação do sexo-reprodução
como exclusividade,; a himenolatria como valorização da
virgindade; a culpa pelo sexo antes do casamento; a condenação
do uso de preservativos ou de qualquer método anticoncepcional.Além
disso, há ainda a condenação do aborto e do homossexualismo,
e embora seja permitido uma variações sexuais, o sexo
anal é condenado.
Protestantismo: Para os protestantes evangélicos é aceitável
o uso de métodos contraceptivos em relação ao planejamento
familiar; são contrários ao sexo antes do casamento; condenam
o adultério, o aborto e o homossexualismo(sendo considerado pecado);
há liberdade quanto ás variações sexuais,
mas sexo anal é condenado.; sobre as disfunções
sexuais, são inaceitáveis pela crença religiosa
problemas desse tipo. Para os protestantes pentecostais , prevalece
os mesmos postulados.No entanto, aqui as variações sexuais
não são admitidas, somente o sexo vaginal; a masturbação
não é rotulada com pecado, mas é desaconselhada.
Ema relação as disfunções sexuais, a rotina
é se aconselhar com o pastor que costuma encaminhar o casal.
Kardecismo: é livre a escolha dos métodos contraceptivos,
desde que lesem o plano físico(a laqueadura de tombas e a vasectomia
são proibidos, salvo necessidade médicas); são
contrários ao aborto; condenam o adultério; em relação
a sexo antes do casamento e suas variações existe o consenso
de que a união de duas pessoas tem de ocorrer sem formalidades,
contratos ou rituais; o homossexualismo é aceito.
Umbandismo: não há restrições quanto ao
sexo antes do casamento e suas variações, embora a penetração
seja proibida aos médiuns em dias de ritual; são radicalmente
contra o adultério e ao aborto; não há restrições
a masturbação ou a métodos anticoncepcionais; frente
a uma disfunção sexual é recomendado ajuda médica,
sendo que guias e orixás dão proteção ao
profissional que irá lhe prestar auxílio.
Judaísmo: são neutros quanto ao sexo antes do casamento;
é condenado o casamento com adeptos de outras religiões;
há condenação do adultério; a prática
masturbatória e as variações sexuais são
liberadas, exceto o sexo anal, que é proibido; em relação
aos contraceptivos, são aconselhados os métodos naturais(tabelinha),
não sendo aceitos os artificiais; em relação a
disfunções sexuais , deve-se procurar primeiro o rabino,
que poderá sugerir uma terapia.
Maometismo: o sexo antes do casamento é proibido; existe uma
valorização da virgindade masculina e feminina; não
é aceito o casamento com adeptos de outra religião; são
contra o aborto; são contra qualquer método contraceptivo;
é proibido o adultério; é proibida a masturbação;
vínculo sexo-reprodução é notoriedade; em
relação as disfunções sexuais, não
são valorizadas se forem femininas, mas se forem masculinas é
natural a ajuda de um profissional.
Budismo: tudo é permitido, desde que não haja prejuízo
físico a outros quanto aos contraceptivos, variações
sexuais, tipos de relacionamento, opções sexuais; quanto
ao aborto, a orientação é dada no sentido de conhecer
a importância da vida; recomendam o tratamento das disfunções
sexuais pois a meta é o indivíduo ser feliz.
Exoterismo: não impõe restrições quanto
a contracepção, sexo antes do casamento, variações
sexuais, masturbação ou homossexualismo; o aborto é
considerado um crime.
Enfim, a idéia do corpo ser algo sujo, pecaminoso, data de tempos
irreais.O corpo e o sexo são limpos, bonitos, se assim quisermos.
Deus criou o corpo e a alma puros e bonitos, para serem cultivados e
utilizados para o bem, com amor e sem egoísmo.
Kelly Cristine Barbosa Cherulli
Sexóloga e Psicóloga
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