Imagine uma relação sexual que quando começa
não tem hora para acabar. Isso mesmo, uma relação
onde os parceiros podem experimentar todos os tipos de sensações
já descritas e não descritas, levando-os a um prazer intenso
depois de horas.
Acredite, isso é possível e essa prática se tornou
conhecida por sexo tântrico.
O sexo tântrico tem origem no tantrismo que por sua vez tem origem
na tradição esotérica indiana, e desde os tempos
mais remotos sua prática é destinada a elevar a mente
humana, levando os seus praticantes a um estado superior de conhecimento.
Segundo as escolas tântricas o divino não está separado
de sua criação, pelo contrário ele se manifesta
em todo mundo material e está ao alcance de todos.
Em relação ao sexo, “a prática do tantrismo
está ligada às crenças e rituais de sexo e fertilidade
desde o neolítico, e sua meta é a liberação
pessoal que se estende transcendendo da personalidade à percepção
consciente, atingindo um estado de êxtase ou prazer indescritível”.
Assim os hindus acreditam ser possível a perfeita harmonia física
e mental de um casal. Este seria o fim mais elevado de vida, podendo
ser obtido através do amor, confirmado pela vivência satisfatória
da sexualidade do homem e da mulher.
Segundo os hindus o abraço, o beijo, a mordedura, a carícia
constituem os elementos mais importantes dos jogos amorosos preliminares,
devendo ser usados não somente na fase preliminar, mas também
durante e depois. O ato sexual ou coito propriamente dito deverá
levar os amantes ao êxtase de todos os sentidos.
Visualize a seguinte cena: a mulher executa uma massagem bem relaxante
no homem. Ela utiliza todo o seu corpo nessa massagem. Ela o abraça,
o beija, lhe dá pequenas mordidas, utiliza suas unhas e faz movimentos
que possibilitem ao parceiro um relaxamento e consciência do seu
corpo. Depois é a vez de o homem fazer o mesmo. Isso pode ser
feito com óleos e cremes com odores que são apreciados
por ambos. Algumas frutas podem ser utilizadas na massagem, além
de estimular o olfato, podem servir de alimento. O ambiente deverá
ter uma luminosidade agradável (velas, pouca luz) e poderá
também estar aromatizado (incensos, aromatizadores) de forma
agradável a ambos. A mesma regra vale para a trilha sonora. Isso
poderá levar minutos ou horas, até que o casal decida
começar o intercurso sexual. Este por sua vez poderá durar
o tempo que o casal permitir, ou seja, eles podem parar e começar
quantas vezes quiserem, até atingirem o clímax.
Este é apenas um exemplo do que se pode conseguir num curso
de sexo tântrico. Mais que uma técnica de sedução,
o curso envolve toda uma filosofia que deve ser aprendida para uma maior
compreensão, o que em minha opinião serviria não
só para enriquecer sexualmente a vida sexual do casal, mas também
como forma de auto-conhecimento.
Kelly Cristine Barbosa Cherulli
Sexóloga e Psicóloga
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